Apenas uma garota perdida tentando encontrar seu lugar nesse planeta que se chama Terra mas que é tão coberto de gelo.

sábado, 23 de janeiro de 2010

#16 Whistler

Olhando aquelas montanhas com neve no topo, eu só pensava em como eu queria que meus pais estivessem vendo aquilo. Parecia um quadro, uma miragem, um filme, uma capa de livro. Isso tudo me lembra um pouvo Everwood, aquele seriado que eu tanto gostava e que na verdade se passava no Colorado. Descobri, inclusive, que Supernatural é gravado aqui. Realmente um belo cenário.

Agora eu tenho um facebook =]
porque todo mundo aqui só usa facebook, nada de orkut.

#15 Just me

Algumas pessoas da minha sala já partiram de Vancouver. A professora chorou. Eu quase chorei também. Duas semanas parecem pouco, mas quando se convive muito com alguém, cria-se um elo indescritível. No momento da despedida, eu pensava em como seria quando tivesse que dizer goodbye para meus amigos brasileiros. Really sad. Conseguimos formar um grupo tão bacana, até mesmo unidos. Saimos quase todos os dias, nos vemos direto e existe aquela afinidade estranha, talvez por estarmos na mesma situação: sozinhos em um país estrangeiro sem nossas famílias. Sei que foi amizade à primeira vista, desde o primeiro dia na escola ou no aeroporto. E eu sei que eu vou sentir falta deles, mas esse foi um dos motivos de eu ter extendido meu intercâmbio. Porque na diplomacia vou ter que dizer adeus muitas vezes. E vou ter que aguentar. A noite, houve uma festa de despedida em uma homestay de um cara maluco. Nunca vi tanta gente junta em uma casa só, e a coitada da dona da casa era uma senhora de idade! Eu bebi e... vomitei! Muito. Meu primeiro PT em toda a minha vida. E eu juro que eu não bebi muito - just 4 bottles of Ice. E devo pedir desculpas aos meus pais, eu sei que eu os decepciono muito com esse tipo de atitude. Realmente foi muito infantil da minha parte e ainda desobedeci uma ordem expressa do meu pai - vocês já notaram que meu pai está sempre certo? todo conselho que ele dá funciona. Desculpa, pai e mãe, mas eu tenho que aprender com meus próprios erros. Nessas horas é que você vê o quanto você não sabe nada. Sócrates tinha razão. A ciência avança tanto e mesmo assim nós não sabemos nada. Eu nem sei porque eu bebo, nem sequer gosto de alcool. Sorte minha que um amigo cuidou de mim, e agora eu devo a vida a ele. Thank you very much, I'll never forget that. Pelo menos, cheguei em casa sóbria e não acordei as crianças. E eu prometo que jamais vou fazer isso novamento. Acho que às vezes eu sou simplesmente muito idiota. Faço umas coisas sem pensar. A verdade é que faço algumas coisas por pura convenção social. Crio personagens, invento ilusões, tento esconder a verdade de mim mesma. Mas ela sempre aparece e volta e reclama como consciência sem fim. Bom, acho que já estou pronta para esclarecer alguns fatos sobre a minha pessoa. Eis a verdade sobre mim: eu prefiro uma biblioteca do que um bar. Eu não gostava de tequila, apenas me acostumei com o gosto. Às vezes não agradeço ao motorista do ônibus por pura timidez. A maior parte finjo que sou extrovertida. Não gosto de ficar por ficar. Na verdade, eu odeio. Na verdade mesmo, eu tenho quase nojo. Por causa da timidez também. Mas eu faço isso. Alguém algum dia vai me entender? Gosto de todo tipo de Arte: literatura, fotografia, pintura, música e principalmente desenho. Não gostam que me vejam comendo, especialmente hamburguer. Não gostava que pegassem no meu cabelo, mas hoje não me importo. Meu abraço é meu frio. Amo meus pais, mas não demonstro muito porque isso me faz ignorar o fato de que eles nem sempre estarão ao meu lado - e esse fato dói muito. Não costumo chorar em filmes, e os filmes em que eu chorei foram os mais bobos: Peter Pan foi um deles. Vivo falando que os homens tem medo de compromisso, mas na verdade quem tem medo sou eu. Às vezes não tenho orgulho ou amor próprio. Gosto de escrever porque parece sempre mais fácil.

Mas uma outra coisa é verdade, sinto falta de duas coisas nas festas do Brasil: FUNK e meus amigos. Embora eu tenha descoberto que posso ter bons amigos aqui também. - inclusive encontrei um substituto a sua altura, Henrique hauhauha miss you.

E ah, quero esclarecer que isso não afetou meu rendimento escolar: 91/100 na prova; e consegui a monitoria de ICP, e fiquei com SS em inteco e direito. Mas isso foi antes da festa.

Hoje é um sábado a noite e eu tô casa de pijama com meu ursinho. Vou ser uma pessoa comportada!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

#14 Canadian way of life

Eu acordo e vem aquela sensação gelada. Caminhando na rua, a brisa cortante, e uns pingos finos de chuva. Típico de Vancouver. Entro no ônibus, às vezes cheio, às vezes vazio. Vou de seabus para Downtown. Aqui nas estações de train e escada rolante, as pessoas que não estão com pressa andam pela direita, para que as apressadas passem sem problemas pela esquerda. Downtown lembra Nova York, pelo menos o que eu vi de NY na televisão: prédios altos, luzes ao escurecer, movimentação. Bem diferente de North Vancouver que é tão calmo. Ao sair da estação, recebo o jornal diário de graça e quem me entrega ainda agradece. As palavras que eu mais escuto pela cidade são thank you, excuse me e sorry. A maioria das pessoas é bem educada. Aqui no Canadá é tudo meio 8 ou 80 na verdade: a água ou é muito quente ou é muito fria [até hoje brigo com o chuveiro daqui de casa], as pessoas ou são muito educadas ou são muito antipáticas. Alguns te dizem hello sem mais nem menos. Outros nem olham na sua cara. A comida aqui é bem variada, não vi sequer um feijão, e eles comem pouco arroz. É mais sanduíche e pizza. Já vi uma menina comendo Mcdonald's de manhã! - arght. Mas tem uma variedade imensa de restaurantes japoneses, com ótimos preços. Por toda a cidade, dá para se ver as montanhas, como um lindo papel de parede. As pessoas sã bem amáveis, mas não possuem aquele calor brasileiro,.. aquele que eu sinto falta.

Hoje fui patinar no gelo. Caí das vezes, sendo que uma delas eu fui derrubada por um menino que patinava muito bem e estava indo muito rápido. Não me machuquei.

O assunto aqui é bebida. Sempre. Tequila CUERVO custa 5 dólares no México. Absolut no duty free de Seattle era 19 dólares e a maior parte das pessoas ficam impressionadas com a cachaça brasileira. Eles não sabem o que é gummy juice.

Embora existam milhões de regras - como não fumar em lugares públicos - e o cigarro ser hiper caro, todo mundo aqui fuma. Será que aquece? Não sei, prefiro minhas luvas.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

#13 Have or not a boyfriend...

Antes de chegar ao Canadá, eu ficava pensando "poxa, como eu queria um namorado que dizesse 'estou com saudades, amor", mas mudei de idéia na primeira semana. Todo dia, algum namorado ou namorada de algum amigo ou amiga minha briga por alguma coisa que eles acham que aconteceu aqui. Sim, porque eu, que já namorei à distância inclusive, sei como é ruim estar longe de quem se ama e quão é difícil aguentar com as milhões de dúvidas que surgem. Afinal, o ser humano tem medo mesmo daquilo que desconhece. Mas algumas pessoas exageram demais. Sério, Vancouver é a cidade mais tranquila do mundo - a nightlife acaba às nove da noite, para se ter um idéia -  e não há nenhum motivo para se preocupar. E já é difícil conseguir suportar toda a saudade do Brasil, da família, dos amigos, ainda ter que aturar brigas por motivos bobos é demais para uma pessoa só. O que eu aprendi com meu relacionamento passado é que não importa o lugar que você esteja, se a pessoa quiser te trair ela vai (eu morava na mesma cidade do meu ex e deu no que deu). Confiança é uma das bases primordiais de um relacionamento e se você não a tem, nem adiante seguir em frente. Sabe, eu tentava ser uma pessoa sem defeitos para que meu ex me amasse, mas de nada adiantou. Porque esse tipo de sentimento não se força, não adianta o quanto perfeita/o você possa ser. Bom mesmo é achar alguém que goste dos seus defeitos. Não adianta querer controlar, prender ou ficar proibindo uma série de coisas. O Amor não surge pela força, mas pela espontaneidade. Um grande amigo meu disse uma vez que relacionamento bom é aquele em que as duas pessoas se entrelaçam e conseguem crescer juntas e que um relacionamento ruim é aquele em que uma das pessoas serve como âncora, prendendo a outra e impedindo-a de crescer. E foi exatamente isso que eu vivi na minha última experiência. Não por culpa dele, devo dizer, mas principalmente porque eu me sentia na obrigação de ser um suporte, de estar sempre presente, prejudicando meus próprios interesses. E mesmo com todos os meus esforços, no final ele nunca me amou. Sabe, no sentido amplo da palavra amar. Amor de verdade. Dos meus amigos aqui, posso falar que todos são tranquilos: O Thiago vive falando bem da namorada dele, a Júlia quer comprar tudo para o namorado dela e a Mari gosta muito do seu respectivo. Nunca vi nenhum deles dando em cima ou mesmo interessado por outra pessoa aqui. É claro que em uma viagem, você vai conhecer infinitas pessoas novas, mas todos nós estamos aqui para estudar Inglês, pensando em nossos futuros profissionais e não em nossas vidas pessoas. Por isso, se seu namorado/a está viajando fique tranquilo, se ele ou ela realmente te amar, não vai te trair ou te magoar. E por favor, não venha com brigas por causa de uma foto ou um comentário besta no facebook. Quanto a mim, não fico com caras comprometidos (principalmente devido à minha última experiência tenho MUITO respeito pelos relacionamentos alheios), nem mesmo faço questão de ficar com alguém, apenas espero que um dia alguém possa me entender no mundo. E aí sim, nós dois vamos crescer juntos e eu vou saber o que é o amor de verdade. Por enquanto, só quero pensar em viajar, conhecer pessoas, e ser diplomata. E guardar comigo cada lembrança boa, por menor que seja, sem precisar ficar dando satisfações.

Hoje finalmente fui ao Ceilis. A fila estava enorme novamente. Conheci uns franceses e uns alemães na fila e por incrível que pareça os europeus sabem que a capital do Brasil é Brasília e que nós falamos português! - inclusive, tenho que abrir um parêntese e dizer que o alemão também ja escreveu um livro que nem eu e não publicou e que com certeza se meu pai estivesse aqui tentaria falar em francês com os franceses. -  E viva a Europa!

Percebi que minha mãe realmente tem razão quando diz que não dou oportunidade para as pessoas que gostam de mim: mas é que ou eu não percebo ou eu ignoro ou eu ignoro porque não percebo ou eu simplesmente me interesso pela pessoa errada ou pela pessoa certa na hora errada. E assim vai, agluém me entende nesse mundo? Nem eu me entendo.

Ontem sonhei com o Dustin pegando duas piriguetes e a minha mãe dizendo pra mim "acho que você precisa dormir mais cedo" IGUALZINHO ela fala na vida real. Saudades da minha mãe.

E sim, realmente preciso dormir mais cedo.

E não, não sou apaixonada pelo Dustin.

Eu acho.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

#12 More 3 weeks!

É isso mesmo! Vou ficar mais três semanas adicionais, além dos 30 dias previstos! Preciso melhorar meu inglês porque provavelmente vou passar em Toronto para conhecer a universidade de York e falar sobre o curso de Ciência Política na UNB. (depois explico melhor) Queria aproveitar para agradecer aos meus pais por essa oportunidade, não tenho como expressar o quanto essa experiência está sendo importante para mim. A cada dia sinto mais falta do Brasil e amo mais Vancouver, como uma moeda com dois lados totalmente distintos. Mas eu sei que eu preciso ficar mais, porque tenho que aprender não só o inglês, mas preciso aprender a viver. A viver comigo mesma, sem chorar a cada despedida ou depender de tantas pessoas. É claro que o cem por cento independência é uma utopia.

Hoje foi um dia bem cansativo. Isso porque o Thiago me fez andar muito só para comprar um par de tênis e um presente para a namorada dele, que na verdade nem sei se ele comprou porque eu e Júlia voltamos mais cedo. Mas pelo menos assistimos, finalmente, Avatar. Em 3D! Não tenho como dizer se aqui o 3d é melhor, porque nunca assisti um filme em 3d no Brasil, mas definitivamente eu preferia com legendas.Vou sentir falta de todos eles quando voltarem para o Brasil. Realmente foi muito bom ter um grupo para os pubs e as compras - aqui se compra muito, inacreditável, eu nem sou de gastar muito, mas aqui eu compro tudo. E por falar em comprar, não pude deixar de comprar um ursinho. Gosto de dormir com ursinhos e achei um perfeito. O nome dele é Dustin, by the way. "Now I have my own Dustin". Brincadeiras a parte, o ursinho é muito fofo. Também consegui uma camiseta belíssima - e meio cara - da Itália para o meu irmão. Espero que ele goste.

Está cada vez mais difícil postar aqui, porque os dias passam voando. Meu´horário na escola é bem farto e escurece 4 horas da tarde. Pais, vocês podem ficar tranquilos quanto aos pubs, porque aqui a night life acaba às oito da noite.

Pedro, está cada vez mais difícil comprar seu x-box. Não tenho três braços infelizmente para carregar tudo e ainda por cima minha mala rasgou de tanta coisa que eu trouxe de Seattle e preciso comprar outra.

Tenho que dormir mais cedo, um dia desses eu estava pescando na aula.

Miss you, guys.
Acabei de realizar que talvez a Carol tenha a blusa super bonita que eu comprei pra ela da Tommy, e agora? =[

#11 English Bay

As praias daqui não são como as de lá. Seria uma boa adaptação da canção do exílio e acho que expressa bem o saudosismo que às vezes nos (nós, brasileiro) abate aqui nessas terras geladas. Vancouver é uma cidade maravilhosa, mas não há nada como o abraço dos pais, a comidinha da mãe, a opinião da mãe na hora de fazer compras e até mesmo a chatisse dos irmãos mais novos. Às vezes eu quero ficar aqui para sempre, outras quero imediatamente voltar ao Brasil. Mas todos sabem como eu posso ser dúbia.
Em nosso 11o dia, fomos à English Bay, uma espécie de baía que na verdade consiste em duas praias. A areia não é fofa, não tem muita areia na verdade, e é repleta de pedras. E o oceano pacífico é gelado. Ao lado, há uma quadra de basquete onde os meninos ficam andando de skate. E várias pessoas caminhando nesse frio. E os corvos voando ao longe. Esse grasnado que não me deixa em paz. Assim é uma praia em Vancouver. Um bom lugar para sentar no banco e desenhar, exatamente o que eu queria esses dias. Simplesmente um lugar para refletir sobre a vida. Porque nada é muito simples, não é? E se fosse talvez não tivesse tanta graça.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

#10 Let's go shopping!

Em Seattle, você realmente pode comprar coisas paradas. As outlets são de deixar maluco - minha mãe não sobreviveria com dinheiro nunca nesse lugar. Tem lojas caras e outras que estão no nível de Vancouver, mas se você procurar direito acha o que quer. Não consegui a calça da tommy por 10 dólares, mas um casaco perfeito por $40. E dois óculos da Fossil por $30 (meu objetivo principal), um para mim e outro para tia Vanessa. Não achei a calça da Diesel para a minha mãe, mas comprei o perfume preferido dela. E o presente de aniversário da Carol. Fiquei tão feliz com todas as compras que nem me preocupei com o frio, estava eufórica. Mas assim que cheguei em casa e deixei as coisas todas tombarem no chão, olhei para tudo aquilo e pensei "no final, são só... coisas". Only this. All this stuff is just... stuff! So... Um perfume caro nunca substituirá um coração partido. Um remédio nunca irá te garantir saúde... e assim por diante. Isso é realmente assustador, porque quando se tem dinheiro imagina-se que todos os desafios da vida serão fáceis, mas na verdade, nada é certo.

Ainda assim, o meu casaco da Tommy é muito bonito.