Apenas uma garota perdida tentando encontrar seu lugar nesse planeta que se chama Terra mas que é tão coberto de gelo.

sábado, 16 de janeiro de 2010

#9 Seattle Rock City

Se eu fosse descrever Seattle em apenas uma única palavra, seria a mesma que usei para descrever São Paulo: loucura. Ou então "música" talvez fosse mais apropriada. Aqui tem som por todo o lugar em uma mistura de etnias, feições, roupas e cores. Vancouver é muito mais organizada. Eu e a Júlia demos uma sorte enorme, porque enquanto a maior parte das meninas ficaram em quartos com mais três pessoas, ficamos só eu e ela em uma suíte e temos uma cama de casal para cada uma! E o banheiro tem banheira! Não podia ter sido melhor... Hoje fomos ao Experience Music Museum. Recomendo plenamente. Você pode tocar guitarra e bateria ou fingir que está tocando (playback) e então depois pode comprar o vídeo, além da enorme coleção de guitarras e jogos interativos. It's amazing. Os americanos não são tão simpáticos quanto os canadenses, really. Estou começando a me dar conta que realmente o Canadá é um país muito mais legal. Pelo menos eu sou muito fã do Canadá. Aqui não é nem tão seguro quanto Vancouver. Mas pelo menos está repleto de música e misturas. E de gente estranha. Achei um presente perfeito para minha irmã. E não é o D.C., Bia.

Bom, tenho que jantar agora.
Saudades de Vancouver já
e do Brasil, é claro
aliás preciso falar com a Carol urgente
haha
beijos

direto do estado de Washington:
Nay.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

#8 A sunny day in RAINcouver

"E Julieta é o sol!"
E o sol resolveu a aparecer!
Depois de dias e mais dias de chuva( sem um raiozinho de sol), daquelas fininhas, que você não sente mas que molha toda a sua mochila, o sol desabrochou como uma flor das nuvens nubladas. Não precisamos pensar duas vezes: Stanley park (finalmente, pai, fui conhecer o seu tão querido parque). Realmente, muito bonito. Uma das coisas que eu mais gosto em Vancouver é isso: você pode encontrar natureza e cidade juntas vivendo em harmonia. Brasília é quase assim. Pelo menos, o plano piloto.


quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

#7 In the top of the universe

Finalmente, Grouse Montain. Subindo devagar, passando por cima das ávores e dos ursos, que nesse período estão hibernando. Finalmente a neve. Mas a neve mais parece gelo. O frio invade instantaneamente. Como quando o Jack em Titanic diz "parece que mil facas estão entrando em seu corpo". Aventurei-me no snowboard sem lições e por incrível que pareça fui melhor do que eu achava. Caí algumas vezes, é claro. Achei mais exaustivo que difícil.

Nessas horas você percebe o quanto o ser humano é pequeno. Quer dizer, o quanto os nossos problemas são pequenos. Para quê desperdiçar se lamentando? A vida é curta e o mundo grande demais. E existem milhões de pessoas para se conhecer e milhões de coisas para fazer. Quero conhecer tudo.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

#6 Fall in Love

Vancouver é realmente uma cidade apaixonante. Isso porque consegue juntar em um só lugar as coisas boas das melhores cidades do mundo: a beleza de Paris, a arte de Florença, as luzes de Nova Yorque e a simpatia do Brasil. Merece mesmo o título de melhor cidade para se viver. Ontem, nós fomos conhecer um pub no centro da cidade. Aqui é cheio de pubs e bares, que abrem cedo e terminam duas horas da manhã. Mas é claro que nunca ficamos até tarde, porque temos aula de manhã. O pub que fomos ontem foi o The Cambie, um cenário meio country, uma jukebox com bandas como Yellowcard e Radiohead e artistas cmo David Guetha, mesas de sinucas e muitos canadenses interagindo. Pedimos para um garoto canadense que estava na mesa ao lado tiraruma foto pra gente. Depois de tirá-la, ele pediu - vejam bem - para tirar uma foto comigo! Depois, ele me ofereceu pagar uma bebida, mas eu disse qe estava com meus amigos. Sentei do lado do Dustin(hostbrother canadense do Thiago e meu eterno conselheiro sobre hábitos locais) e fui tirar minhas dúvidas sobre dating por aqui. Ele disse que é comum um garoto te oferecer uma bebida quando quer ficar com você. De acordo co o Dustin, eles oferecem uma bebida para a garota daí depois pedem para ela sentar com eles na mesa, e então conversam e só então, depois disso tudo, eles chamam para algum lugar privado para making out. Canadenses não costumam se beijar em público. É tão diferente do Brasil que eu até fiquei com medo um pouco. Mesmo porque, o Dustin me falou que aqui é muito comun "casual sex", e que às vezes daí surge uma serious relationship. Irônico não? No Brasil há mais demonstrações em público, mesmo assim os canadenses são bem mais liberais - acho que mesmo que o Brasil está cercado de falso moralismo. O Dustin é uma pessoa realmente útil! Posso treinar meu inglês e ainda de quebra aprender expressões. Ele me contou sobre a decepção amorosa dele - parece que cada um tem que ter a sua, então se você ainda não teve se prepare!  Na escola o assunto da unidade da semana foi Dating//Love também Estou no level High Intermed., by the way. (obs: E meu pai achava que eu não me virava com meu inglês, hein?) Cada país tem um jeito diferente de lidar com relacionamentos. O Amor é algo universal, mas suas manifestações não.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

#5 Take a sad song...

Árvores em que os galhos parecem gravetos, sombras, barulho de corvos sobrevoando o céu, ruas escuras... Vancouver é o cenário perfeito para um filme de terror... ou para uma canção triste. A cidade todo inspira solidão e reflexão. O frio faz com que as pessoas se fechem não só em seus casacos, mas em suas mentes para dialogar consigo mesmas a questão da existência da vida. Enquanto andava pela galeria de Arte - uma grande galeria. - pensava em tudo isso. A maior parte das imagens retratavam paisagens da British Columbia, muitas apelavam para alguma nacionalidade. Mas que nacionalidade se Vancouver é repleta de gente, idiomas diferentes e costumes distintos? Se na rua vemos árabes, chineses, koreanos, brasileiros e europeus... E então eu lembrei porque gosto tanto de Arte em geral. A Arte é uma forma de nos tornar imortal. Sim, porque quando eu olho um quadro, eu fico imaginando "esse cara pintou isso há 200 anos, o que será que ele estava pensando?" Ou melhor, o que será que ele estava sentindo? E esses sentimentos sobreviveram seus 200 anos em uma simples tela... Por isso, sou tão contra críticos de Arte... eles podem falar sobre linhas e coisas sem tanta importãncia, mas a inspiração não se adquire com um curso... e foi por isso - um dos motivos, quer dizer - que eu sai do Desenho Industrial. Sentimentos são mais importantes do que técnicas. Sentimentos não se compram como tinta. Sentimentos não morrem com as pessoas. Eles ficam no ar, nos versos, nas palavras, nas telas... E é isso que eu acho que é universal... Porque essa chuva fina e essas calçadas já viveram muitas histórias, mas as pessoas, ah as pessoas, elas sentiram.

No seabus, vim escutando He Jude, porque também se pode aproveitar um curto instante de melancolia.
Fui ao aquário - não achei lá grandes coisas. O Stanley Park deve ser mais bonito no verão. Os passeios da escola são meio desorganizados e ainda temos que comprar o livro texto! Bonitas mesmo são as luzes da cidade, e o oceano pacífico na escuridão.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

#4 So many brazilians

Vancouver é uma cidade multicultural. Em um mesmo ônibus, escuta-se português, inglês, chinês, francês, e todos os tipos de idiomas. É certo que a maior parte dos habitantes são provenientes da Ásia, mas acredito que esse fato chame a atenção também devido aos traços dos asiáticos serem bem característicos. Hoje foi o primero dia na ILAC, mas os novos alunos não tiverem aula. Foi  apenas uma apresentação e um tour pelos arredores, que foi atrapalhado pela chuva constante e ventania. Aqui sempre chove (raincouver!). A maior parte dos estudantes é brasileiro, então depois de comermos pizza de graça na escola resolvemos nos aventurar pela cidade. Um deles tem um hostbrother canadense, que não é daqui mas de Toronto, e ele foi conosco també. Algumas vezes esquecíamos que ele não falava português e acabávamos usando alguma expressão brasileira com ele. Ele fazia aquela cara de desentendido. Por coincidência, ele faz Design! (eu fiz 1 ano de Desenho Industrial). Ele desenha muito bem, aliás. Primeiro nós fomos ao metrotown. Perdi meu gorro lá e 10 minutos depois ele estava nos achados e perdidos.do shopping - todo mundo achou incrível. Depois fomos a um pub. Ganhamos fritas de graça de um casal que estava saindo e não queria mais comer. Aqui, eles são assim. A mulher que nos atendeu se chamava Tracey. Ela disse "it's tracey, not crazy", típicas piadinhas canadenses. No pub,tentávamos falar em inglês para que o Dustin (hostbrother do nosso amigo) entendesse. Engraçado ele acha que eu e o nosso amigo (que é mais branco que eu) somos bronzeados. Mas isso é porque ele é quase branco que nem papel. E lembra um pouco o Chad Michael Murray.

domingo, 10 de janeiro de 2010

#3 Do you speak Spanish?

O que todos esperavam que iria acontecer ocorreu em meu terceiro dia em Vancouver: me perdi. Mesmo contra - novamente - os conselhos do meu pai - até parece que ele é advinho - inventei de ir até Downtown para ver o caminho que farei amanhã até a escola. No começo foi trânquilo: bus 246, seabus, downtown, andei um pouco e logo achei a Ilac. Fiquei alguns minutos admirando as luzes do centro da cidade: lembrou um pouco Nova Yorque, pelo que eu vejo na televisão. Já estava escuro - aqui escurece às 4 da tarde - e então resolvi voltar. Enquanto esperava o seabus, observei três pessoas sentadas ao lado de materiais de ski. Eram dois suíços e uma menina não sei de onde. Uma outra menina falava ao celular um tanto distante dessa cena. Eles estavam conversando sobre ski em geral. Depois a menima foi falar com outro homem, puxar conversa, e depois se despediu dos dois. Acho que eles tinham acabado de se conhecer, porque ao sentar no seabus os dois começaram a falar em como ela tinha sido estranha puxando assunto desse jeito e depois simplesmente indo embora - obs: o inglês deles era terrível. E então chegou a suíça que antes estava falando no celular: alta, bonita, cabelos castanhos, com aquela cara de esnobe que diz "sou melhor que você, porque sou mais bonita e alta que você". Entenda que isso é um pré-julgamento, lógico, mas necessário e baseado em evidências. Assim que ela chegou começou a dizer que pelo visto a menina não tinha gostado dela porque nem tinha dirigido a palavra à ela, e o outro respondeu "of course, you're not a boy" (entederam o sentido dessa frase?). Ou pelo menos foi essa conotoção a qual eu cheguei dessa situação, o que me deixou muito embaraçada. Afinal, o que adianta você viajar para um lugar tão longe e não fazer esses amigos temporários sem regras ou compromissos? Porque é bom ter amigos verdadeiros, mas isso existe certo compromisso, determinadas regras de conduta, como por exemplo não faltar aniversários. Mas os passageiros sempre serão temporários, apenas uma lembrança boa como a sensação do gelo que dissolve na mão. Sempre achei que as pessoas - a maior parte - tinha medo de compromisso por causa do medo da decepção. Amigos momentâneos dificilmente vão te decepcionar, porque simplesmente não vão ter Tempo. Já ouviu o ditado que todas as pessoas são legais nos primeiros 3 minutos? Eu acreditava nisso fielmente até degostar desses três no segundo minuto. Depois de descer do seabus, peguei novamente o bus 246, o mesmo de ontem, só que pelo visto perdi a parada por falta de atenção, porque quando me dei por si estava na parada final em West Vancouver - minha casa é em North Vancouver. O motorista disse para eu ir até a bus stop mais próxima. Todos os motoristas de ônibus aqui são iguais: loiros, altos, olhos azuis. Às vezes até acho que é o mesmo cara. Corri até a parada de ônibus e perguntei se alguém sabia como chegar até a 26th, mas ninguém sabia ao certo. Então ia quase entrando em um ônibus quando uma filipina disse "wait, this is not your right bus!" Ela ia para a 30th, nós deveríamos pegar o mesmo ônibus para o seabus (longsdale) e depois pegaríamos ônibus separados. Ela me explicou várias coisas e era bem legal, falava bem e tinha 29 anos, embora parecesse ter no máximo 20. Pena que achava que os brasileiros falavam espanhol. Tenho esclarecido esse fato arduamente aqui, umas cinco pessoas achavam que eu falava espanhol.  Tinha minhas resalvas em relação aos asiáticos, - achava-os meio frios -  mas para falar a verdade eles são extremament gentis e prestativos. Ela me ajudou a entrar no ônibus correto e falou para o motorista - sempre aquele mesmo biotipo - me ajudar. Ele perguntou se eu falava espanhol.. ou português. Sentei e depois tive que levantar para uma mulher, que usava um aparelho estranho de locomoção, poder se posicionar. Fiquei em pé e quase cai. O õnibus estava lotado. Estava do lado de um garoto, bem bonito na verdade, alto, com jeito de inglês, e sotaque levemente britânico - charmosíssimo - quando o homem sentado a nossa frente saiu e desceu do bus. Os amigos do garoto disseram "take it, take it, take it". E ele "no, I won't" E então ele me olhou e com aquele sotaque britânico do Hugh disse "you can take it". Oh-my-god como diria a Janice do Friends. Eu sentei e ele sorriu com aquele jeito meio embaraçado - de fato me lembrou o Cedric Diggory (antes dessa onda Crepúsculo e tal). Então um lugar perto ao meu descocupou e meio que ele sentou na minha frente. `Às vezes ele só ria e eu ria de volta. Ou então, ele torcia o lábio, naquele jeito meio torto e eu achava engraçado. Perguntei se ele morava aqui, ele disse que sim, ele perguntou onde eu estava e eu respondi. E aí foi até chegar o momento fatal: perguntou se eu fazia high school. "No, I'm twenty" e então ele disse com aquele sorrisinho embaraçado "I'm seventeen". É é, podem me zuar, mas ele não tinha cara de high school e era uma graça! Expliquei como tinha me perdido. De repente, a gravação do bus falou "27th", daí eu fiquei confusa, ja tinha passado a 26th? perguntei para o garoto e ele disse que eu tinha que descer e andar um bloco. "Oh, I'm going to be lost again" Quando levantei, ele deu o sorriso torto, levantando os olhos, e falou "good luck". E lá fui eu para a escuridão. Sim, não conseguia achar minha rua. Parei um carro no sinal e perguntei, mas o sinal abriu e puf o carro se foi. Então encontrei uma mulher passeando com uma cadela -creio que a raça do Pingo, dog do Danillo. Pedi ajuda. E acreditem, ela teve a bondade de vir comigo até a minha casa, que era bem longe da dela. No caminho, fomos conversando, ela achava a cadela meio burra ("she is not very smart") - eu ri. Ela gostava de brasileiros, parece-me que a mãe dela era host de estudantes também. Ela foi fantástica. Canadenses são extremamente gentis, realmente, nice people. E enfim, eu cheguei em casa. Sempre vou me lembrar de cada pessoa que me ajudou aqui com muito carinho. E é isso que me faz gostar tanto dessas amizades momentâneas. Não ter a obrigação de abrir ou forçar uma conversa no MSN, não ter obrigações sociais, não ter que ficar ligando e principalmente não ter lembranças ruins. Porque, acreditem, às vezes algumas lembranças ruins mancham todas as boas com as lágrimas de sangue que fizeram ser derramadas. Como tinta em um tecido branco bordado. E então, não há nada a fazer a não ser lamentar pelo infortúnio dessa discrepância (do destino! -loshermanos) que é a vida. Conversar com alguém em uma estação, tomar café com um desconhecido, saber um pouco da história de vida de um estranho não faz mal, apenas nos ajuda a progredir e nos reconhecer - só tomem cuidado com os suíços! (risos) Brincadeiras a parte, acho que enquanto o ser humano não aprender que o próximo não é apenas a família ou o vizinho o mundo não irá progredir e a humanidade não avançará. Porque basta ser feliz com um pequeno gesto, seja uma informação, uma caminhada, uma conversa ou apenas um sorriso singelo. Quando nos vemos nos outros, aí sim os outros somos nós mesmos. Isso que é o Amor Universal. Talvez, não sei de nada (momento sócrates). Just learning. Sabe, toda essa experiência no Canadá está me ajudando a refletir muito sobre o que as pessoas chamam de "experiências negativas". Essa palavra assusta muito, de fato. Eu descobri com minhas decepções pessoais que o mundo pode desabar, mas o mais importante é como você encara os fatos. A maneira como você lida com os obstáculos é o que importa de verdade. Eu aprendo muito com minhas experiências não positivas e até acho que elas são bem importantes. Aquela metáfora de pegar as pedras que te jogam e construir um castelo. Mas, por favor, tomem cuidado com as avalanches!


saudades IMENSAS do Brasil
sabe, o Canadá é bonito, mas EU AMO MEU PAÍS!
Beijosnãomeliguemestousemtelefonecelular.